Alerta de novas tendências criminais: “corona crimes”

Mundo, Pelo País

Artigo de Marcelo Pasqualetti, consultor em inteligência estratégica. Possui especialização em Ameaças Criminais Contemporâneas na Université Pantheon-Assas (Paris II).

 

Em um período de quarentena, como o imposto agora em virtude da pandemia da Covid-19, as agências de segurança no mundo perceberam um incremento em novas modalidades criminais que vem sendo nominadas de “coronacrimes”.

Além dos ataques virtuais, que sofrem um natural aumento em tempos de teletrabalho, percebemos algumas novidades “presenciais”, a maior parte dela relativas a crimes não violentos mas com o condão de causar prejuízos financeiros nas vítimas, conforme o descrito nos alertas da Interpol, Europol e de outras agências internacionais de segurança.

Criminosos vem se passando por profissionais da área de saúde e realizam contato por telefone ou email onde solicitam o pagamento por tratamento dado a um amigo ou a um parente contaminado podendo ludibriar as vítimas a fornecer dados pessoais ou de cartão de crédito, chegando até a ofertar uma falsa lista de pessoas infectadas que residiriam próximo às vítimas.

Já os oportunistas “porta-a-porta” oferecem a venda de serviços de descontaminação doméstica, materiais de limpeza e filtros de ar especiais para Covid-19 além de kits para testes a doença sem nenhuma eficácia, modalidades encontradas também através da internet.

Consultores financeiros apresentam-se sob o pretexto de uma “irrecusável proposta de investimento”ou oferecendo ajuda financeira e empréstimos para ajudar as vítimas a atravessar a quarentena ou ainda sugerindo o investimento em novas e imperdíveis “ações da corona” nos mercados financeiros.

O chefe da Interpol, Jurgen Stock, disse em recente entrevista que grupos criminosos montaram verdadeiras centrais telefônicas, “call centers criminais”, para disparar pedidos em massa de ajudar aos pagamento de despesas médicas de conhecidos ou parentes internados para cuidar da infecção pelo vírus.

Além disso, complementou que “as forças policiais de todo o mundo já apreenderam itens médicos contrafeitos, incluindo milhares de máscaras de proteção abaixo do padrão falsificadas, os chamados spray de corona, remédio de corona e desinfetante para as mãos abaixo do padrão”.

No Brasil já foi verificada a venda de álcool gel falsificado, notadamente por vendedores ambulantes, cujo público alvo é, em regra, formado por pessoas de baixa renda, moradores de áreas de grande densidade demográfica, fatores que podem impactar sobremaneira no número total de infectados no país. 

Não devemos criar pânico, mas atentar às pequenas regras de segurança para não sermos vitimas de criminosos que se aproveitam de um momento tão delicado como o que passa a sociedade no atual momento.

 

FONTE ORIGINAL DO ARTIGO: Época, com replicação da Fenapef

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