Fiocruz sugere lockdown intermitente por dois anos no RJ e governo avalia

Pelo País

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) considera que é necessário endurecer o isolamento social no Rio de Janeiro para reduzir o ritmo de crescimento de infectados pela covid-19 e capacitar o sistema de saúde para dar conta da demanda. No relatório técnico-científico que serviu de suporte para sustentar a ação do Ministério Público do estado, os pesquisadores alertam que a adoção de medidas mais rígidas é urgente e necessária para que não haja um colapso nos hospitais ainda no mês de maio. O governo do RJ analisa o pedido. 

As ações mais incisivas de distanciamento social, como o lockdown, devem ser estruturadas de maneira a considerar uma continuidade ao longo do tempo, avaliam os especialistas. ”Possivelmente, essas medidas serão acionadas e repetidas durante um longo período, já que, até o presente momento, não há perspectiva de término desta situação de crise sanitária e humanitária nos próximos 18 a 24 meses”, diz o documento. 

Na análise, o Rio de Janeiro é apresentado como um dos estados cuja situação frente à pandemia é considerada uma das mais críticas do país. O crescimento acentuado de mortes e casos já passa a ser evidente não só na capital, mas em outros municípios mais afastados. “Em meados de abril de 2020, já se projetava o alto risco de propagação da epidemia a partir da região metropolitana para os demais municípios do estado”, diz o estudo. 

Segundo os estudiosos, a não adoção de medidas imediatas de lockdown pode levar a um período prolongado de escassez de leitos e insumos, “com sofrimento e morte para milhares de cidadãos e famílias do estado do Rio de Janeiro”. Tais medidas não podem ser pensadas de forma isolada e, ao mesmo tempo, devem ser adequadas às realidades epidemiológicas e dos sistemas de saúde das diferentes das cidades. 

Para que esta equação seja equilibrada, os pesquisadores chamam a atenção para a necessidade de se discutir as ações em conjunto com os municípios e regiões integradas ao estado. Nas decisões, devem ser levadas em conta a incidência de casos, a tendência da curva, a disponibilidade de leitos, recursos humanos e equipamento, bem como a adesão das medidas pela sociedade. 

A experiência de outros países que já atingiram o ápice da epidemia serviram como embasamento para as análises.  Medidas mais rígidas de confinamento (lockdown total ou parcial) foram adotadas em vários países (China, Itália, Espanha, Reino Unido, França, Alemanha, entre outros) como estratégia para desacelerar o crescimento da curva de casos, com o objetivo de manter a demanda aos serviços hospitalares e de cuidados intensivos compatíveis com a oferta. “Adotar o lockdown tardiamente, a exemplo do Reino Unido, resultaria em uma catástrofe humana de proporções inimagináveis para um país com a dimensão do Brasil”, exemplifica. 

O relatório considera ainda a importância de intensa articulação das diferentes esferas de governo não só nas decisões de quando afrouxar ou enrijecer as medidas, mas no apoio econômico e social às populações vulneráveis, principalmente daqueles que  dependem de trabalho informal ou precário, bem como suporte a pequenas empresas que geram empregos e podem sofrer grande impacto da pandemia.

O governo do Rio de Janeiro está reunido com especialistas e gestores da área de saúde e da economia para elaborar uma resposta ao Ministério Público do estado, informando se adotará ou não as medidas de lockdown e sustentando a decisão por meio de embasamentos técnicos-científicos. 

 

FONTE ORIGINAL DA MATÉRIA: Correio Braziliense

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