Quase 40% dos servidores contratam consignado; no RJ, crédito continua suspenso

Pelo País, Serviço Público

O volume de contratos de consignado entre servidores da União e do município do Rio se manteve na pandemia e representa hoje quase 40% dos vínculos, o que demonstra a importância da modalidade para o funcionalismo. No Estado do Rio, porém, os servidores estão, desde o fim de maio, sem a possibilidade de contratar o crédito mais barato do mercado. O sistema de empréstimos consignados está fora do ar há quase sete meses e ainda não tem data para voltar.

Advogado da Federação das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos Municipais e Estaduais do Rio (Fasp), Carlos Jund informou que, com a falta de respostas do governo sobre o assunto, está elaborando uma ação civil pública para que o estado seja obrigado a reimplantar o sistema.

— Os servidores estão sofrendo restrições financeiras sérias, em especial os aposentados e pensionistas, normalmente mais carentes de recursos extraordinários para a solução de problemas de saúde ou familiares — explica.

Coordenador do MBA em Finanças do Ibmec, Filipe Pires explica que o consignado é uma importante modalidade de crédito em meio à pandemia.

— Em momentos quando há vários fatores que podem dificultar a entrada de receita para as famílias, ou no caso de um servidor que tem uma segunda fonte de renda que foi reduzida, esse é o meio mais barato de conseguir equacionar o fluxo de caixa até que a situação seja regularizada.

Em nota, o governo do estado informou que “trabalha para contratar uma nova empresa que realize os serviços de administração e controle de margem consignada, com lançamento em folha de pagamento”.

O contrato do governo com a empresa responsável pela gestão da margem consignável — a Talktelecom — acabou no dia 3 de março. A empresa continuou prestando o serviço por meio de liminar, que foi revogada no fim de maio.

Dos 600 mil servidores federais ativos, 224 mil possuem consignado, o que corresponde a cerca de 37%. Já no município do Rio, o percentual é maior, de 39,5%: dos 200 mil servidores ativos, inativos e pensionistas, 121 mil possuem contrato de consignado.

Funcionário federal contrata em média R$ 1.888,72

Entre os servidores federais, o valor médio contratado no consignado foi de R$ 1.888,72 em novembro. O valor é semelhante às medias dos últimos 12 meses. Em novembro de 2019, por exemplo, cada funcionário contratou em média a quantia de R$ 1.860,63. O prazo médio de pagamento também se manteve o mesmo, entre 55 e 56 meses de parcelamento. O número de contratos passou de 234 mil em novembro de 2019 para 224 mil no mês passado.

Já na Prefeitura do Rio, o valor médio consignado é menor, de R$ 904,32. Mas o prazo para pagamento é maior: a média no mês passado foi de 111 meses. O número de servidores municipais com contratos de consignado caiu nos últimos 12 meses. Eram 60.933 em novembro de 2019 e foram 52.276 em novembro deste ano.

Bancos oferecem juros a partir de 0,88% ao mês

A taxa de juros mais barata encontrada pelo EXTRA no consignado para os servidores foi no banco Itaú, que cobra a partir de 0,88% ao mês com prazo de dois a 96 meses para pagamento. Não é necessário ser correntista do banco para contratar. No Banco do Brasil, as taxas são a partir de 0,95% ao mês, com parcelamento em até 84 meses e carência de até 90 dias para pagamento da primeira parcela.

O Santander informou que a taxa de juros varia de acordo com o contrato. Em julho, o banco firmou convênio com a Prefeitura do Rio e ampliou o prazo máximo de pagamento do empréstimo de 120 meses para 144 meses, além de carência até janeiro de 2021.

Bradesco e Caixa Econômica Federal não responderam.

É preciso cuidado para que dívidas não virem hábito

Para muitos servidores, recorrer ao empréstimo consignado se tornou um hábito perigoso. Isso porque, como as parcelas são descontadas mensalmente do contracheque, existe o risco de que o trabalhador comprometa mais do que deveria com esses pagamentos, e acabe tendo que recorrer a dívidas mais caras para pagar as contas.

— O pior que pode acontecer é a troca da dívida barata por uma mais cara. Já que os servidores têm maior previsibilidade do fluxo de caixa, ter planejamento é fundamental. E conseguir fechar uma parcela que caiba no bolso e não comprometa a ponto de ter que tomar crédito em outro lugar — explica Filipe Pires, do Ibmec.

Segundo ele, é comum que os trabalhadores recorram ao cartão de crédito rotativo ou ao cheque especial para pagar despesas, quando o salário descontado das parcelas não consegue dar conta. Dados do Banco Central mostram que as taxas de juros do cheque especial nos cinco principais bancos variam de 5,40% a 7,96% ao mês. No rotativo do cartão de crédito, o valor é ainda maior: de 9,37% a 11,43% ao mês.

— É preciso evitar o apelo de terceiros, de pessoas que não têm acesso a linhas de consignado e pedem para que o servidor faça o empréstimo. Se for fazer, solicite garantia ou tenha um colchão de reserva, sabendo que o outro pode em algum momento faltar com a responsabilidade de quitar a parcela — diz Pires.

 

FONTE ORIGINAL DA MATÉRIA: Extra

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