Servidores contestam auditoria sobre frota de carros inutilizados no ICMBio

Entidades em Ação

A Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema) contestou a auditoria do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que encontrou uma frota de 377 carros inutilizados em galpões ligados ao Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). A frota teria custo de R$ 39 milhões por ano à União.

Em nota, a associação afirma que os dirigentes da pasta “alardeiam supostas irregularidades para macular a gestão e os servidores do ICMBio”. O gasto com a frota sucateada foi identificado por uma auditoria interna realizada no ICMBio. O Estado teve acesso ao trabalho, que está em andamento e foi encomendado pelo ministério.

“O Ministério Publico Federal acaba de emitir recomendação para que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, condenado por improbidade administrativa, se abstenha de dar declarações públicas que, sem comprovação, causem deslegitimação do trabalho do corpo de servidores do Ibama e do ICMBio”, diz a nota da associação.

A nota afirma que as atividades em áreas remotas do País causam bastante “desgaste aos veículos e tornam sua manutenção cara e difícil”. E que utiliza, desde 2008, os contratos de abastecimentos e manutenção de veículos com a utilização de cartões e sistemas “que permitem monitoramento tanto da frota, quanto dos abastecimentos e manutenção”.

“O valor disponibilizado para cada Unidade de Conservação é dividido pelos veículos disponíveis. Os seguidos cortes orçamentários inviabilizam a adequada manutenção da frota. Por esse motivo, muitos veículos ficam parados e o saldo de combustível ou manutenção é transferido para outro veículo para que as atividades não sejam comprometidas”, diz o documento.

A auditoria do ministério constatou que o ICMBio tem mais carros do que servidores públicos. São 1.538 funcionários em seu quadro em todo o País, enquanto a frota total cadastrada é de 1.986 veículos. Dos quase 2 mil veículos, 40% – o equivalente a 800 carros – estão inoperantes ou subutilizados. Desses, 377 não funcionam. Ainda assim, seus registros apontam cobranças regulares de consumo de combustível e de manutenção, conforme a auditoria. As investigações dão conta de que esses cartões não foram anulados e continuam a gerar custos para o órgão.

Para a associação, “em vez de alardear suspeitas de irregularidades e tentar colocar a sociedade contra o corpo de servidores do ICMBio, os dirigentes poderiam se dar ao trabalho de conhecer como funciona a gestão das unidades de conservação sob sua responsabilidade, as dificuldades enfrentadas pelos servidores para proteger nosso patrimônio ambiental”.

De acordo com suspeitas de integrantes do ministério, os cartões podem estar sendo utilizados em um suposto esquema de desvio de recursos. Questionado, Salles confirmou as informações, mas disse que aguarda os desdobramentos da controladoria do órgão. O ICMBio, assim como o Ibama, teve parte de seus recursos contingenciados neste ano.

 

Com informações de Estadão

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