Quase 60% dos servidores federais já presenciaram corrupção, diz Banco Mundial

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Mais de 13 mil servidores públicos do governo federal relatam que já testemunharam algum ato antiético ou de corrupção durante sua trajetória no setor público.

O número foi revelado pela pesquisa “Ética e Corrupção no Serviço Público Federal – A perspectiva dos servidores” do Banco Mundial, divulgada nesta quinta-feira (11).

“A maioria dos servidores (58,7%) indica que já presenciou algum ato deste tipo durante sua trajetória profissional”, diz o documento.

Quando recortado o período para os últimos três anos, 33,4% dos servidores indicam que presenciaram algum ato antiético. Desse total, apenas 12% denunciaram atos de corrupção no mesmo período.

“Dos que indicaram haver presenciado alguma prática antiética nesse período, a maior parte indica ter observado comportamento antiético na formulação de políticas, projetos ou programas (37,7%) ou compras e contratações de serviços ou obras (35,3%)”, revela.

De acordo com a instituição internacional, todos os servidores públicos foram incluídos na amostragem, um total de 22.130 respondentes. Desses, um terço diz ter sofrido pressão para agir de forma antiética nos últimos três anos.

“Dos servidores que relataram ter sofrido algum tipo de pressão, mais da metade (62,5%) sofreu pressão para flexibilizar as regras e procedimentos da organização ou ignorar um ato indevido (39,9%)”, completa.

Tais pressões foram exercidas majoritariamente por algum superior hierárquico, mas há caso também de pressão por colegas de trabalho.

Relatos sobre pressões

– 62,53% sofreu pressão para flexibilizar regras e procedimentos;

– 39,89% para ignorar ato indevido;

– 26,59% para favorecer particular específico;

– 13,39% para compartilhar dados restritos;

– 6,86% para prejudicar particular específico;

– 28,33% sofreu outro tipo de pressão;

Denúncia e retaliação

A pesquisa revela ainda que 51,7% dos servidores respondentes não se sentem seguros o suficiente para denunciar uma conduta ilícita. Entre os que denunciaram (12% dos 33,4% que presenciaram corrupção nos últimos três anos), 27,4% sofreram retaliação por terem relatado o comportamento irregular. Apenas 7,8% dos respondentes indicaram que, quando relatado, o denunciado foi punido.

Para o Banco Mundial, os resultados podem estar relacionado à falta de maior capacitação em programa de integridade. “Ter acesso a programas de integridade está relacionado a um menor sentimento de insegurança, sendo um importante instrumento para criação de uma cultura anticorrupção”.

Somente 31,3% dos servidores relataram terem sido treinados no programa de integridade em sua organização. Segundo o BM, isso indica uma “possível lacuna entre conhecer a existência e receber treinamento em tais programas”.

O estudo foi realizada online entre os dias 28 de abril e 28 de maio de 2021, em parceria com a Controladoria-Geral da

União (CGU), o Ministério da Economia, e a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP).

Covid-19 aumenta corrupção

Quando analisado o impacto da pandemia sobre as práticas antiéticas, a pesquisa sinaliza que a situação piorou no período. Veja os destaques:

– 55,9% viu aumento de interferência política nas decisões da sua organização;

– 50,6% observou aumento de conflitos de interesse entre os serviços público e privado;

– 22,4% relatou que aumentaram as decisões sobre contratação e compras feitas com pouca transparência e sem prestação de contas;

– 22,2% viu aumento de atividades de lobby entre os setores público e privado (22,2%).

 

FONTE ORIGINAL DA MATÉRIA: CNN Brasil

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