Servidores no INEP relatam rotina de perseguições e assédios desde 2019

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Servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ouvidos pelo Correio sob a condição anonimato relatam uma “caça às bruxas” desde o início do governo Bolsonaro. Em 2019, a instituição criou uma comissão para verificar se as questões do Enem têm “pertinência com a realidade social”. Um dos servidores caracterizou a iniciativa como “esdrúxula”, disse que o objetivo era monitorar e censurar questões do Enem e foi perseguido por isso.

Mas os servidores dizem que a situação piorou com a chegada de Danilo Dupas à presidência do Inep, em março de 2021. Segundo eles, o atual dirigente do instituto não leva critérios técnicos e administrativos em consideração para tomar decisões, que, quando contestadas, desencadeiam perseguições e, em muitas vezes, a situações de assédio moral.

Os servidores também acusam Dupas de não assumir as responsabilidades relacionadas ao Enem. Afirmam que o presidente do Inep pediu para não participar do grupo responsável por resolver incidentes na prova, que é tradicionalmente chefiado pelo presidente do órgão.

O presidente da Associação dos Servidores do Inep (Assinep), Alexandre Retamal Barbosa, afirma que Dupas só ouvia os servidores em ambientes controlados. “Só éramos ouvidos na sala dele, um por um, no máximo dois. Em nenhum momento ele convocou uma assembleia ou reunião com todos os servidores”, observou.

Em nota, a organização Todos pela Educação afirmou que a atual situação do Inep é resultado de uma “corrosão institucional sistemática produzida no governo atual, que abala a credibilidade do órgão e põe em risco a política educacional e a gestão da Educação no Brasil”.

“Até o presente momento, não há notícias de prejuízos na logística do exame, mas há graves relatos de fragilidades no sistema de prevenção e resposta a incidentes na aplicação. Essa crise, no entanto, revela um sintoma de uma doença que vem assolando o órgão como um todo, com sequelas que podem ir muito além do próprio Enem”, aponta a nota do Todos pela Educação.

 

FONTE ORIGINAL DA MATÉRIA: Correio Braziliense

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